domingo, 2 de junho de 2013

TRABALHO DA ÁREA DE HUMANAS DE 2012


ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS

            Coordenadora da Área; Dalva pereira dos santos.

 EXPERIENCIAS COM AULAS PRÁTICAS NA ÁREA DE HUMANAS NO CEJA 15 DE OUTUBRO EM BARRA DO BUGRES-MT.
Por:
Antonio Alves Daniel 
Antonio Moreira dos Santos
Carlos Roberto da Silva
Cleide Rodrigues de Oliveira
Dalva Pereira dos Santos
Hildo Marcio Pereira
Idenir Mariano de Oliveira Neves
Lucenir Mazzini Faustino
Maria Aparecida de Oliveira
                                                                                 Odete weber  

                  Educar é antes de tudo mais, organizar a experiência dos indivíduos na vida cotidiana. (Alberto Tosi Rodrigues)

 Entendemos que a experimentação é uma prática fundamental para o crescimento do aluno na aprendizagem, diante disso é que se abrem várias portas para o professor trabalhar com aulas práticas, segundo as várias vertentes a que se propõe o meio escolar.
Dessa forma, as experiências, além de ajudar no processo do desenvolvimento cognitivo, também auxiliam no desenvolvimento de conhecimentos científicos; assim as aulas práticas permitem que os educando aprendam como abordar objetivamente o seu mundo e como desenvolver soluções para problemas complexos. Servem também como estratégia e podem auxiliar o professor a construir com os alunos uma nova visão sobre um mesmo tema.
Buscando estimular a aprendizagem, a escola procura trabalhar com projetos das mais diferentes formas. Com isso procuramos desenvolver com os alunos do CEJA “15 de Outubro” de Barra do  Bugres- MT, um projeto transdisciplinar com o Titulo: “A importância do Rio Paraguai na Economia de Barra do Bugres”. Este se caracteriza como transdisciplinar pelo fato de extrapolar os muros da escola, não só por desenvolver aulas de campo, as  quais relataremos a seguir, mas por desenvolver conteúdos significativos que serão levados para a vida. 
Nestas atividades foi possível observar o quanto os alunos, sujeitos do processo, apreciam atividades diferenciadas, interativas e participativas, onde podem construir novos conhecimentos ou ressignificar os já possuídos.
Estes alunos da Educação de Jovens e Adultos buscam na escola as respostas para os questionamentos que surgem em suas vidas. A busca por estas respostas pode ser visivelmente ampliada quando trabalhamos teoria e prática lado a lado. Nesta abordagem, o aluno é o sujeito ativo do processo de ensino aprendizagem assim o professor deixa de ser somente o transmissor de conhecimentos e passa a ser mediador ao criar condições para que os alunos aprendam em um ambiente de compromisso, em que ao estar na sala de aula, por interesse e não por obrigação, se sentem no dever de pesquisar e estudar (FREIRE, 1996).
Os estudos de Pessoa (2001), apontam que durante uma atividade prática, o docente pode estimular o aluno a gostar e a entender os conteúdos, fazendo isso através de práticas que partem da realidade do seu cotidiano. Através de tais práticas pedagógicas, o professor proporciona complementar os conhecimentos prévios para chegar aos conhecimentos científicos que objetiva a escola.
Para chegar a tais objetivos foram desenvolvidas as seguintes atividades: Pesquisa bibliográfica e na internet sobre a importância do Rio Paraguai; Visita a campo nas comunidades ribeirinhas de Barra  do  Bugres; filmagem, Levantamento de fatos históricos envolvendo o Rio Paraguai; Investigação histórica do povoamento de Barra do Bugres.
Com o decorrer das pesquisas propostas, as turmas trabalharam a leitura, escrita e a produção de texto. Durante o processo pode-se perceber o envolvimento com a aprendizagem através das aulas de campo. Além de um estimulo para a escrita e consequentemente a leitura da história no Município de Barra  do  Bugres e consequentemente da sua própria história. Os resultados são visíveis, pois os Jovens e Adultos ao final do projeto podem ler e compreender a história de Barra do  Bugres, bem como a sua história de vida.
Conhecer os porquês do surgimento do Município, primeiramente através de pesquisas e posteriormente com aulas de campo, são  experiências trazidas ao cotidiano de cada aluno e é também uma forma de produzir conhecimentos e transmitir uns aos outros a motivação à pesquisa, onde o professor não é só um mero transmissor, mas um parceiro do aluno em seu aprendizado.
Com isso, no transcorrer das pesquisas e debates foram agregando-se novos conhecimentos aos prévios dos alunos, bem como surgiram assuntos relacionados com o Rio Paraguai. Um dos primeiros assuntos que surgiram com o andamento desta pesquisa, foi  a importância da planta com propriedades medicinais chamada de poaia (ipecacuanha) que foi muito cultivada na região as margens deste importante rio.  Aulas de campo in loco se fizeram necessárias para que os alunos conhecessem esta planta, haja    visto  que a mesma ainda existe de forma nativa na região.
Sabendo que a história de Barra   do  Bugres  originou-se do fluxo migratório advindo com a extração da poaia, iniciado a partir do final do século XIX. Em 1878, chegou à região Pedro Torquato Leite Rocha, vindo de Cáceres. Ergueu rancho à margem direita do Rio dos Bugres, bem onde este rio desemboca no rio Paraguai. Deu-se início na época, a exploração das cercanias em busca da preciosa poaia com resultados satisfatórios. A localidade tornou-se ponto de referência, e famílias instalaram-se no local onde as águas do Rio dos Bugres encontrava-se com a  correnteza turvos do Rio Paraguai. O lugar começou a ser conhecido por Barra do Rio dos Bugres, passando esta denominação à história, e inserida nos mapas cartográficos pelo Marechal Candido Rondon.
Sabemos ainda que a grande maioria dos alunos do CEJA “15 de Outubro” são oriundos de outros estados e que, possivelmente, não conheciam, até então, a História deste município que escolheram para viver. Foi com essa perspectiva que propusemos realizar com os alunos da Área de Ciências Humanas esta aula de campo nos arredores de Barra do  Bugres , para que os mesmos pudessem conhecer a poaia, que é um arbusto de no máximo 70 cm de altura e da raiz deste extrai-se uma substância com o nome de “emetina” que se utiliza para a fabricação de remédios. Segundo o Professor Jovino dos Santos Ramos  em seu livro Informativo de Barra do Bugres, diz que a poaia   dessa região era a melhor do mundo, pois enquanto as de outras regiões produzia somente 0,80% de emetina as da do Vale do Guaporé, Paraguai e Sepotuba chegava com facilidade a 2.80% dessa substancia.
  
Figura 1: Raíz da planta poaia (ipecacuanha) de onde se extrai a emetina

Figura 2: visita in loco para conhecer o arbusto

  Dando sequencia as atividades, no dia 06 de agosto de 2012, inicialmente ocorreu uma confraternização na escola entre os professores e alunos desta área do conhecimento. Após este momento, saímos de viajem com destino o Município de Alto Paraguai com objetivo de conhecermos a nascente do Rio Paraguai, rio este, de fundamental importância para o desenvolvimento econômico de Barra do  Bugres. Esta aula de campo sensibilizou os educando quanto aos cuidados que devemos ter com o rio Paraguai e toda a sua extensão, mais precisamente na parte em que passa em nossa cidade, pois se encontra em péssimas condições as suas margens toda devastada e com grande incidência de erosão e assoreamento.
Conforme pode ser observado na figura3, a nascente do rio Paraguai está localizada em um local privilegiado no Município de Alto Paraguai, pois lá esta sendo desenvolvido projeto de reflorestamento.  Percebemos que os donos da fazenda ”Sete Lagoa”, local da nascente, seguem as exigências da Legislação Ambiental vigente, pois a atividade agricultura já está distante da nascente.
Figura 3:Lagoa Princesa  (Alto Paraguai)

Os alunos ficaram realmente encantados com o local da nascente e voltaram com o firme propósito de  serem   propagadores  de uma cultura de preservação do rio Paraguai, uma vez que aproximadamente 90%   da população barrabugrense fazem uso de alguma forma das águas deste  Rio Paraguai.
Nas semanas que sucederam a viajem à nascente do rio Paraguai, surgiram questionamentos sobre quais comunidades utilizam o rio como fonte de sobrevivência. Os moradores da Aldeia Umutina ganharam destaque especial neste debate, uma vez que a localização geográfica da aldeia se dá às margens de um rio. Surgiu então a necessidade de se investigar os hábitos dos moradores da aldeia e a relação que estes estabelecem com a natureza, em especial com o rio. Foi realizado um visita a campo na Aldeia Umutina de Barra do Bugres com o objetivo de coletar informações sobre o cotidiano das pessoas que lá habitam. Na ocasião os índios foram entrevistados por alunos e professores que elaboraram previamente cinco questões (em anexo) e que foram propostas aos indígenas de forma aleatória. Tal questionamento possibilitou entender melhor a relação que os moradores estabelecem com o rio, bem como a importância  do  mesmo para a sobrevivência deste povoado
Figura 4: investigação da relação dos índios com o rio
Foram vários moradores entrevistados que contribuíram com suas respostas para o entendimento do assunto proposto. No retorno para a escola, os alunos da área de humanas se reuniram e sintetizaram as várias respostas em uma só, ficando assim:
 Na primeira questão ficou sintetizado que os indígenas da aldeia Umutina afirmam que o rio Paraguai lhes produz alimentos e que as matas preservadas às margens do rio também lhes produz alimentos além de ervas que servem como remédios.
Na segunda questão os indígenas afirmaram que a pesca é feita com arco e flecha, com anzol e também com timbó, ou seja, um cipó que em contato com a água produz uma substancia que deixa os peixes atordoados e, portanto fácil de serem apanhados.
Na terceira questão eles disseram que não conseguem sobreviver somente do rio e que também caçam, plantam agricultura de subsistência e produzem artesanatos. Na quarta eles responderam que promovem uma festa em homenagem ao rio Paraguai, mas que essa festividade é promovida no córrego 18, córrego esse que é afluente do rio Paraguai e que passa no meio da Aldeia.
Finalmente na quinta questão eles afirmaram que a limpeza é feita dentro e fora do rio e que em sua margem do lado indígena a floresta está preservada.  No encerramento desta pesquisa os alunos relataram:
Essa aula de campo na aldeia Umutina foi de suma importância para nós alunos da área de ciências humanas, pois nos fez compreender a importância do rio Paraguai na sobrevivência do povo Umutina e também aprendemos que devemos preservar as matas ciliares, pois elas são de extrema importância e funcionam como filtros, ou seja, elas não deixam causar erosão e nem deixam os agrotóxicos fluírem para dentro dos rios e consequentemente para o nosso corpo.

 Figura:5  Área de risco -  margem direita do rio Paraguai

Área de risco Ribeirinhos
De acordo com a legislação brasileira, o termo mata ciliar significa qualquer formação florestal que ocorre na margem de cursos  d´água .
Estas áreas estão protegidas por Lei pelo código florestal. Federal (Lei 4.771/65) como área de preservação permanente. Essa Lei determina que todas vegetação, arbórea ou não , presente ao longo das margens dos rios e ao redor de nascentes e de reservatórios deve ser preservada.
 Na década de 40, chegaram   em  Barra do  Bugres  os primeiros moradores e fixaram residência as margem direita do Rio Paraguai ,sem  se  preocupar com as Leis ambiental .        Hoje temos consciência que a  largura  da  faixa de mata ciliar a ser preservada está relacionada com a largura do curso d´água ,  de  acordo com a Lei(4. 771/65)  . Para o Rio Paraguai deve ser deixado  100m  a cada margem  do espelho d´água.  Porém em Barra do  Bugres essa Lei não foram respeitada.¹
Com o intuito de levar adiante a conservação do Rio Paraguai, os professores e alunos da área de Ciências Humanas, decidiram   realizar  uma pesquisa sobre a área de risco à margem direita do Rio Paraguai.
Área considerada imprópria ao assentamento humano, por estarem sujeitos a riscos de inundações, desmoronamentos e contaminações com resíduos tóxicos.   
Para entender essa problemática, vamos conceituar a palavra, erosão, assoreamento.
A erosão e assoreamento são dois processos naturais muito antigos, que inclusive, contribuíram para a formação do nosso  planeta .

A principal causa do assoreamento tem  sido  a   erosão  hídrica,  consequência das  práticas  inadequadas de uso e manejo do solo.
No município de Barra do Bugres á 165 km de Cuiabá existem dois rios que passa na cidade, a margem  esquerda  fica o Rio Bugres e a direita o Rio Paraguai,  onde  começou o  povoamento de Barra do Bugres.(causa de nossa pesquisa).
Nessa perspectiva foram realisada pesquisa a partir do  dia 18 de outubro de 2012. Pelos alunos e professores da área de ciências humanas. Foram entrevistados alguns moradores dessa área de risco, para saber as opiniões deles    relacionado  ao projeto de desocupação das margens do Rio, ,haja visto que estão localizado em área  de risco conforme estudo ambiental.
 Percebemos que, grande maioria dos moradores estão insatisfeito com  as   mudanças  referente a um   projeto  proposto  pelo prefeito Wilson  Francelino  de  Oliveira.
   De um lado estão os ribeirinhos  defendendo, o direito hereditário de sua família,e, de outro ,o Prefeito defendendo o rio com base na Legislação ambiental. Vejamos a seguir o que diz os ribeirinhos:
Segundo um desses moradores o senhor Ezidio Constantino Ponduque, é morador da área á 45 anos disse ele ;:” Ninguém  até  hoje nos procurou para saber se queremos sair ou não  e, se essa saída irá refletir na nossa cultura e nos  nossos sentimentos ‘”.  Comentou também que o projeto do senhor prefeito, é terminar a construção de um  restaurante á margem do rio, (de propriedade particular) local em que diz ser área de risco para os moradores ribeirinhos, está construindo um muro com barreira de contensão, obrigando os ribeirinhos a evacuarem a área, ou  seja,  sair de suas residências , mas como pode ser impróprio para residir, e  próprio para comércio?.disse  ele.
Outros entrevistados foram: o senhor José Jucier Cabo 42 anos, Luiz Galdino da Silva e reside  à 21 anos  ali,  e aluga condomínio para sua sobrevivências;  segundo os moradores: Moacir Campos, que também reside no local à 21  anos e a senhora Elenita,:” estamos  desapontados com as atitudes do Prefeito ao implantar o projeto à margem direita do rio Paraguai sem dar nenhuma explicação as pessoas que ali vivem.”. Os alunos ficaram perplexos com o dilema que os ribeirinhos estão  vivenciando ,eles propuseram dar continuidade a esse projeto ,e divulga-lo  para que mais pessoas saibam desses acontecimentos  e juntos com autoridades competentes elaborar projetos de reflorestamento para resolver estes problema  pois  entendemos que esta comunidade tem uma história ,uma vida uma cultura e o que está em discussão  não é simplesmente um loteamento ou uma casa de alvenaria é uma história de vida.
 Durante a realização do projeto, percebemos que os alunos voltaram mais crítico   e   participativos com a política ambiental  implantada    em nosso município,  questionando entre vários pontos observados, a construção do muro de contensão e o não reflorestamento com plantas nativas, pois dessa forma estaria conservando as margens dos rio como também beneficiando a sociedade em um todo.
Não temos pretensão nenhuma de resolver os problemas. A razão maior é analisar e sintetizar  os  fatos  observados.

 ANEXO
  1. Qual a importância do Rio Paraguai no cotidiano do povo Umutina?
  2. Como é feita a pesca no Rio Paraguai. Por vocês?
  3. As pessoas da Aldeia Umutina conseguem sobreviver somente do rio Paraguai?
  4. A aldeia promove alguma festividade em homenagem ao rio Paraguai?
  5. O que vocês fazem para preservar o Rio Paraguai?
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

1  Mata ciliar /Organização Amigos da Natureza- Marechal Cândido Rondon: Amigos da Natureza, 2008. P. 7  Volume II


Figura 1: Raíz da planta poaia (ipecacuanha) de onde se extrai a emetina




Figura 4: investigação da relação dos índios com o rio

Figura 2: visita in loco para conhecer o arbusto




Figura:5  Área de risco -  margem direita do rio Paraguai


Figura 3:Lagoa Princesa  (Alto Paraguai)
Figura:5  Área de risco -  margem direita do rio Paraguai

Um comentário:

  1. velhos tempos... velhos dias... tempo bom.. hoje já não se aprende mais como era ante!!!

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