ÁREA
DE CIÊNCIAS HUMANAS
Coordenadora da Área; Dalva pereira dos
santos.
EXPERIENCIAS COM AULAS PRÁTICAS NA ÁREA DE
HUMANAS NO CEJA 15 DE OUTUBRO EM BARRA DO BUGRES-MT.
Por:
Antonio
Alves Daniel
Antonio
Moreira dos Santos
Carlos
Roberto da Silva
Cleide
Rodrigues de Oliveira
Dalva
Pereira dos Santos
Hildo
Marcio Pereira
Idenir
Mariano de Oliveira Neves
Lucenir
Mazzini Faustino
Maria Aparecida de Oliveira
Odete
weber
Educar é antes de tudo mais, organizar a experiência dos
indivíduos na vida cotidiana. (Alberto Tosi Rodrigues)
Entendemos que a experimentação é uma prática
fundamental para o crescimento do aluno na aprendizagem, diante disso é que se
abrem várias portas para o professor trabalhar com aulas práticas, segundo as
várias vertentes a que se propõe o meio escolar.
Dessa forma, as experiências,
além de ajudar no processo do desenvolvimento cognitivo, também auxiliam no
desenvolvimento de conhecimentos científicos; assim as aulas práticas permitem que
os educando aprendam como abordar objetivamente o seu mundo e como desenvolver
soluções para problemas complexos. Servem também como estratégia e podem
auxiliar o professor a construir com os alunos uma nova visão sobre um mesmo
tema.
Buscando estimular a aprendizagem, a escola procura trabalhar com
projetos das mais diferentes formas. Com isso procuramos desenvolver com os
alunos do CEJA “15 de Outubro” de Barra do
Bugres- MT, um projeto transdisciplinar com o Titulo: “A importância do
Rio Paraguai na Economia de Barra do Bugres”. Este se caracteriza como
transdisciplinar pelo fato de extrapolar os muros da escola, não só por
desenvolver aulas de campo, as quais
relataremos a seguir, mas por desenvolver conteúdos significativos que serão
levados para a vida.
Nestas atividades foi possível
observar o quanto os alunos, sujeitos do processo, apreciam atividades
diferenciadas, interativas e participativas, onde podem construir novos
conhecimentos ou ressignificar os já possuídos.
Estes alunos da Educação de
Jovens e Adultos buscam na escola as respostas para os questionamentos que
surgem em suas vidas. A busca por estas respostas pode ser visivelmente
ampliada quando trabalhamos teoria e prática lado a lado. Nesta abordagem, o
aluno é o sujeito ativo do processo de ensino aprendizagem assim o professor
deixa de ser somente o transmissor de conhecimentos e passa a ser mediador ao
criar condições para que os alunos aprendam em um ambiente de compromisso, em
que ao estar na sala de aula, por interesse e não por obrigação, se sentem no
dever de pesquisar e estudar (FREIRE, 1996).
Os estudos de Pessoa (2001),
apontam que durante uma atividade prática, o docente pode estimular o aluno a
gostar e a entender os conteúdos, fazendo isso através de práticas que partem
da realidade do seu cotidiano. Através de tais práticas pedagógicas, o
professor proporciona complementar os conhecimentos prévios para chegar aos
conhecimentos científicos que objetiva a escola.
Para chegar a tais objetivos
foram desenvolvidas as seguintes atividades: Pesquisa bibliográfica e na
internet sobre a importância do Rio Paraguai; Visita a campo nas comunidades
ribeirinhas de Barra do Bugres; filmagem, Levantamento de fatos
históricos envolvendo o Rio Paraguai; Investigação histórica do povoamento de
Barra do Bugres.
Com o decorrer das pesquisas
propostas, as turmas trabalharam a leitura, escrita e a produção de texto.
Durante o processo pode-se perceber o envolvimento com a aprendizagem através
das aulas de campo. Além de um estimulo para a escrita e consequentemente a
leitura da história no Município de Barra
do Bugres e consequentemente da
sua própria história. Os resultados são visíveis, pois os Jovens e Adultos ao
final do projeto podem ler e compreender a história de Barra do Bugres, bem como a sua história de vida.
Conhecer os porquês do surgimento
do Município, primeiramente através de pesquisas e posteriormente com aulas de
campo, são experiências trazidas ao
cotidiano de cada aluno e é também uma forma de produzir conhecimentos e transmitir
uns aos outros a motivação à pesquisa, onde o professor não é só um mero
transmissor, mas um parceiro do aluno em seu aprendizado.
Com isso, no transcorrer das
pesquisas e debates foram agregando-se novos conhecimentos aos prévios dos
alunos, bem como surgiram assuntos relacionados com o Rio Paraguai. Um dos
primeiros assuntos que surgiram com o andamento desta pesquisa, foi a importância da planta com propriedades
medicinais chamada de poaia (ipecacuanha)
que foi muito cultivada na região as margens deste importante rio. Aulas de
campo in loco se fizeram necessárias
para que os alunos conhecessem esta planta, haja visto
que a mesma ainda existe de forma nativa na região.
Sabendo que a história de Barra
do Bugres originou-se do fluxo migratório advindo com a
extração da poaia, iniciado a partir do final do século XIX. Em 1878, chegou à
região Pedro Torquato Leite Rocha, vindo de Cáceres. Ergueu rancho à margem
direita do Rio dos Bugres, bem onde este rio desemboca no rio Paraguai. Deu-se
início na época, a exploração das cercanias em busca da preciosa poaia com
resultados satisfatórios. A localidade tornou-se ponto de referência, e
famílias instalaram-se no local onde as águas do Rio dos Bugres encontrava-se
com a correnteza turvos do Rio Paraguai.
O lugar começou a ser conhecido por Barra do Rio dos Bugres, passando esta
denominação à história, e inserida nos mapas cartográficos pelo Marechal
Candido Rondon.
Sabemos ainda que a grande maioria dos alunos do CEJA “15 de Outubro”
são oriundos de outros estados e que, possivelmente, não conheciam, até então,
a História deste município que escolheram para viver. Foi com essa perspectiva
que propusemos realizar com os alunos da Área de Ciências Humanas esta aula de
campo nos arredores de Barra do Bugres ,
para que os mesmos pudessem conhecer a poaia, que é um arbusto de no máximo 70
cm de altura e da raiz deste extrai-se uma substância com o nome de “emetina”
que se utiliza para a fabricação de remédios. Segundo o Professor Jovino dos
Santos Ramos em seu livro Informativo de
Barra do Bugres, diz que a poaia dessa
região era a melhor do mundo, pois enquanto as de outras regiões produzia
somente 0,80% de emetina as da do Vale do Guaporé, Paraguai e Sepotuba chegava
com facilidade a 2.80% dessa substancia.
Figura 1: Raíz da planta poaia (ipecacuanha) de onde se extrai a emetina
Figura 2:
visita in loco para conhecer o
arbusto
Dando sequencia as atividades, no dia 06 de
agosto de 2012, inicialmente ocorreu uma confraternização na escola entre os
professores e alunos desta área do conhecimento. Após este momento, saímos de
viajem com destino o Município de Alto Paraguai com objetivo de conhecermos a
nascente do Rio Paraguai, rio este, de fundamental importância para o
desenvolvimento econômico de Barra do
Bugres. Esta aula de campo sensibilizou os educando quanto aos cuidados
que devemos ter com o rio Paraguai e toda a sua extensão, mais precisamente na
parte em que passa em nossa cidade, pois se encontra em péssimas condições as
suas margens toda devastada e com grande incidência de erosão e assoreamento.
Conforme pode ser observado
na figura3, a nascente do rio Paraguai está localizada em um local privilegiado
no Município de Alto Paraguai, pois lá esta sendo desenvolvido projeto de
reflorestamento. Percebemos que os donos
da fazenda ”Sete Lagoa”, local da nascente, seguem as exigências da Legislação
Ambiental vigente, pois a atividade agricultura já está distante da nascente.
Figura
3:Lagoa Princesa (Alto Paraguai)
Os alunos ficaram
realmente encantados com o local da nascente e voltaram com o firme propósito
de serem propagadores
de uma cultura de preservação do rio Paraguai, uma vez que
aproximadamente 90% da população
barrabugrense fazem uso de alguma forma das águas deste Rio Paraguai.
Nas semanas que
sucederam a viajem à nascente do rio Paraguai, surgiram questionamentos sobre
quais comunidades utilizam o rio como fonte de sobrevivência. Os moradores da
Aldeia Umutina ganharam destaque especial neste debate, uma vez que a
localização geográfica da aldeia se dá às margens de um rio. Surgiu então a
necessidade de se investigar os hábitos dos moradores da aldeia e a relação que
estes estabelecem com a natureza, em especial com o rio. Foi realizado um
visita a campo na Aldeia Umutina de Barra do Bugres com o objetivo de coletar
informações sobre o cotidiano das pessoas que lá habitam. Na ocasião os índios
foram entrevistados por alunos e professores que elaboraram previamente cinco
questões (em anexo) e que foram propostas aos indígenas de forma aleatória. Tal
questionamento possibilitou entender melhor a relação que os moradores
estabelecem com o rio, bem como a importância
do mesmo para a sobrevivência
deste povoado
Figura 4: investigação da relação dos índios com o rio
Foram vários moradores
entrevistados que contribuíram com suas respostas para o entendimento do
assunto proposto. No retorno para a escola, os alunos da área de humanas se
reuniram e sintetizaram as várias respostas em uma só, ficando assim:
Na primeira questão ficou sintetizado que os
indígenas da aldeia Umutina afirmam que o rio Paraguai lhes produz alimentos e
que as matas preservadas às margens do rio também lhes produz alimentos além de
ervas que servem como remédios.
Na segunda questão os
indígenas afirmaram que a pesca é feita com arco e flecha, com anzol e também
com timbó, ou seja, um cipó que em contato com a água produz uma substancia que
deixa os peixes atordoados e, portanto fácil de serem apanhados.
Na terceira questão
eles disseram que não conseguem sobreviver somente do rio e que também caçam,
plantam agricultura de subsistência e produzem artesanatos. Na quarta eles
responderam que promovem uma festa em homenagem ao rio Paraguai, mas que essa
festividade é promovida no córrego 18, córrego esse que é afluente do rio
Paraguai e que passa no meio da Aldeia.
Finalmente na quinta
questão eles afirmaram que a limpeza é feita dentro e fora do rio e que em sua
margem do lado indígena a floresta está preservada. No encerramento desta pesquisa os alunos
relataram:
Essa aula de campo na
aldeia Umutina foi de suma importância para nós alunos da área de ciências
humanas, pois nos fez compreender a importância do rio Paraguai na
sobrevivência do povo Umutina e também aprendemos que devemos preservar as
matas ciliares, pois elas são de extrema importância e funcionam como filtros,
ou seja, elas não deixam causar erosão e nem deixam os agrotóxicos fluírem para
dentro dos rios e consequentemente para o nosso corpo.
Figura:5 Área de risco - margem direita do rio Paraguai
Área de risco Ribeirinhos
De acordo com a legislação brasileira, o termo mata
ciliar significa qualquer formação florestal que ocorre na margem de
cursos d´água .
Estas áreas estão
protegidas por Lei pelo código florestal. Federal (Lei 4.771/65) como área de
preservação permanente. Essa Lei determina que todas vegetação, arbórea ou não
, presente ao longo das margens dos rios e ao redor de nascentes e de
reservatórios deve ser preservada.
Na década de
40, chegaram em Barra do
Bugres os primeiros moradores e
fixaram residência as margem direita do Rio Paraguai ,sem se
preocupar com as Leis ambiental .
Hoje temos consciência que a
largura da faixa de mata ciliar a ser preservada está
relacionada com a largura do curso d´água ,
de acordo com a Lei(4.
771/65) . Para o Rio Paraguai deve ser
deixado 100m a cada margem
do espelho d´água. Porém em Barra
do Bugres essa Lei não foram
respeitada.¹
Com o intuito de levar adiante a conservação do Rio
Paraguai, os professores e alunos da área de Ciências Humanas, decidiram realizar
uma pesquisa sobre a área de risco à margem direita do Rio Paraguai.
Área considerada
imprópria ao assentamento humano, por estarem sujeitos a riscos de inundações,
desmoronamentos e contaminações com resíduos tóxicos.
Para entender essa problemática,
vamos conceituar a palavra, erosão, assoreamento.
A erosão e assoreamento são dois processos naturais
muito antigos, que inclusive, contribuíram para a formação do nosso planeta .
A principal causa do assoreamento tem sido
a erosão hídrica,
consequência das práticas inadequadas de uso e manejo do solo.
No município de Barra
do Bugres á 165 km de Cuiabá existem dois rios que passa na cidade, a
margem esquerda fica o Rio Bugres e a direita o Rio Paraguai, onde
começou o povoamento de Barra do
Bugres.(causa de nossa pesquisa).
Nessa perspectiva foram
realisada pesquisa a partir do dia 18 de
outubro de 2012. Pelos alunos e professores da área de ciências humanas. Foram
entrevistados alguns moradores dessa área de risco, para saber as opiniões
deles relacionado ao projeto de desocupação das margens do Rio,
,haja visto que estão localizado em área
de risco conforme estudo ambiental.
Percebemos
que, grande maioria dos moradores estão insatisfeito com as mudanças referente a um projeto
proposto pelo prefeito
Wilson Francelino de
Oliveira.
De um lado
estão os ribeirinhos defendendo, o
direito hereditário de sua família,e, de outro ,o Prefeito defendendo o rio com
base na Legislação ambiental. Vejamos a seguir o que diz os ribeirinhos:
Segundo um desses
moradores o senhor Ezidio Constantino Ponduque, é morador da área á 45 anos
disse ele ;:” Ninguém até hoje nos procurou para saber se queremos sair
ou não e, se essa saída irá refletir na
nossa cultura e nos nossos sentimentos
‘”. Comentou também que o projeto do
senhor prefeito, é terminar a construção de um
restaurante á margem do rio, (de propriedade particular) local em que
diz ser área de risco para os moradores ribeirinhos, está construindo um muro
com barreira de contensão, obrigando os ribeirinhos a evacuarem a área, ou seja,
sair de suas residências , mas como pode ser impróprio para residir, e próprio para comércio?.disse ele.
Outros entrevistados
foram: o senhor José Jucier Cabo 42 anos, Luiz Galdino da Silva e reside à 21 anos
ali, e aluga condomínio para sua
sobrevivências; segundo os moradores:
Moacir Campos, que também reside no local à 21
anos e a senhora Elenita,:” estamos
desapontados com as atitudes do Prefeito ao implantar o projeto à margem
direita do rio Paraguai sem dar nenhuma explicação as pessoas que ali vivem.”.
Os alunos ficaram perplexos com o dilema que os ribeirinhos estão vivenciando ,eles propuseram dar continuidade
a esse projeto ,e divulga-lo para que
mais pessoas saibam desses acontecimentos
e juntos com autoridades competentes elaborar projetos de
reflorestamento para resolver estes problema
pois entendemos que esta
comunidade tem uma história ,uma vida uma cultura e o que está em
discussão não é simplesmente um
loteamento ou uma casa de alvenaria é uma história de vida.
Durante a realização do projeto, percebemos
que os alunos voltaram mais crítico
e participativos com a política
ambiental implantada em nosso município, questionando entre vários pontos observados,
a construção do muro de contensão e o não reflorestamento com plantas nativas,
pois dessa forma estaria conservando as margens dos rio como também
beneficiando a sociedade em um todo.
Não temos pretensão
nenhuma de resolver os problemas. A razão maior é analisar e sintetizar os
fatos observados.
ANEXO
- Qual a importância do Rio Paraguai no cotidiano do povo Umutina?
- Como é feita a pesca no Rio Paraguai. Por vocês?
- As pessoas da Aldeia Umutina conseguem sobreviver somente do rio Paraguai?
- A aldeia promove alguma festividade em homenagem ao rio Paraguai?
- O que vocês fazem para preservar o Rio Paraguai?
REFERÊNCIA
BIBLIOGRÁFICA
1 Mata ciliar
/Organização Amigos da Natureza- Marechal Cândido Rondon: Amigos da Natureza,
2008. P. 7 Volume II
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Figura 1: Raíz da planta poaia (ipecacuanha) de onde se extrai a emetina |
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Figura 4: investigação da relação dos índios com o rio
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Figura 2:
visita in loco para conhecer o
arbusto
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| Figura:5 Área de risco - margem direita do rio Paraguai |
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Figura
3:Lagoa Princesa (Alto Paraguai)
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| Figura:5 Área de risco - margem direita do rio Paraguai |



